8
de
fevereiro
TENORINHO O ETERNO LÍDER SINDICAL
Tenorinho (1923 - 2010) Uma História de vida marcada pela luta em prol dos trabalhadores (as) do Brasil
O Brasil se despediu de um dos maiores líderes sindicais da história deste país, Luis Tenório de Lima (Tenorinho), que faleceu no Hospital das Clinicas em São Paulo no dia 23 de janeiro, por volta das l6h00. Com 87 anos, e nascido na cidade de Palmares - PE em 23 de junho de 1923, ele teve uma trajetória importante dentro do movimento sindical, em que dedicou mais de 70 anos de sua vida na luta em defesa da classe trabalhadora e por um mundo mais justo.
Tenorinho foi um homem que merece toda a admiração e respeito, e que certamente deixará muita saudade, e principalmente, muitos ensinamentos para cada um de nós. Além de apresentador do programa “Bom dia, companheiro”, na rádio Imprensa, e vice-presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), este grande sindicalista ganhou destaque como líder sindical da cúpula da CGT, membro do Partido Comunista e fundador do DIEESE.
A Nova Central, com certeza, terá nele a referência para a sua ação sindical, quanto a princípios, valores e objetivos. Lições de coragem, lucidez e companheirismo fizeram parte de sua trajetória de lutas. Seus ensinamentos ficarão marcados a varias gerações de sindicalistas que, com certeza, miram no seu exemplo para exercerem as atividades de dirigente sindical comprometidos com a classe trabalhadora.
Pernambucano de Palmares, município localizado na Zona da Mata, ele foi personagem importante da vida brasileira. Começou a trabalhar como assalariado na Usina Santa Terezinha, produtora de açúcar e álcool, aos 17 anos, aí ficando até 1944, tornando-se competente técnico de usinas de cana.
De Sergipe, voltou a Pernambuco e dali foi para São Paulo e de lá para Minas Gerais, indo trabalhar numa destilaria do Vale do Jequitinhonha. Ao ir, em definitivo para São Paulo, foi contratado numa destilaria de álcool da família Matarazzo e retomou sua atividade sindical, sendo eleito tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação e Destilados e delegado junto ao Pacto de Unidade Sindical criado no estado, do qual em seguida se tornou um dos seus principais líderes.
Comunista confesso, o irreverente, e hábil orador, sempre firme nas suas convicções, sempre agiram e lutaram em defesa dos interesses da classe trabalhadora. Com certeza, sua história e trajetória de vida estarão sempre presente nas lutas da classe trabalhadora, como exemplo de coragem e combatividade.
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Foi um dos mais qualificados defensores da unicidade sindical, do custeio compulsório e do sistema confederativo como estrutura organizativa mais adequada à independência e autonomia das entidades sindicais, frente a patrões, governos, partidos, igrejas etc.
Fixando residência em São Paulo, passou a editar, a partir do ano seguinte, o Correio Sindical de Unidade, que teve vida efêmera, idéia que ele reproduziu sob a forma de um programa de rádio, de muita audiência, nos anos 2000.
Submetido ao voto popular, Tenorinho conquistou cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, no pleito de 1984, cumprindo o mandato em estreita ligação com os sindicatos e movimentos de bairros.
Mais do que a saudade, ficam o símbolo, a marca e o seu caráter. Ele o fez por merecer. Quanto a nós, continuamos, pois, nunca é demais repetir, a luta continua companheiros, e que tenhamos a lembrança do eterno líder sindical.
“Eu vim pra São Paulo, e foi em São Paulo que entrei para o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Laticínios… Eu entrei já porque eu tinha, em Sergipe, sido eleito presidente do sindicato lá dos trabalhadores do açúcar e do álcool, e no dia da posse, o Dutra intervém em todos os sindicatos do Brasil. Ali foi a minha primeira associação, meu primeiro partido”, afirma em sua história. http://memoria.dieese.org.br


